“No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a voz
dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos –
O verbo tem que pegar delírios.”
Manoel de Barros
Para aprender com as crianças é preciso encantar-se com elas. É preciso ter a capacidade transcendente de ver o mundo pela primeira vez. Todos os dias.
É saber calar-se quando pedem respostas. É saber escutar quando se calam. É saber não agir quando dizem “não consigo”, respondendo com um sorriso ou gesto de encorajamento.
É saber errar e aprender com esses erros. É ter a humildade de pedir “desculpas” quando interrompemos os seus pensamentos por causa do tempo. É resistir ao tempo quando vemos algo “Uau” acontecer e pará-lo, congelá-lo, guardando para sempre as memórias do encantamento.
Para aprender com as crianças é preciso humildade. É preciso muita força para desconstruir muros de pré-conceitos formados e já calcificados em nós. É preciso muita coragem para assumir que somos adultos e que temos ainda tanto por aprender, tanto por descobrir com a infância!
Lara Custódio

