Já se deparou com uma mordidela na bochecha do seu filho quando foi buscá-lo ao Colégio? Ou soube que o seu filho tinha mordido um/a colega?
Durante o crescimento, é comum os pais notarem que, de vez em quando, os filhos mordem e/ou são mordidos.
A infância é uma fase de grandes descobertas. O primeiro contacto do bebé com o mundo é alcançado através da boca, porque para eles, aprender é uma experiência sensorial, em que a boca e o paladar têm papel essencial nessa descoberta. Assim, quando o bebé leva um objeto à boca está a explorar, experimentar, descobrir!
No meio dessas descobertas depara-se com o ato de partilhar. A partilha de brinquedos, espaço e atenção com outras crianças é um possível motivo para reagir com a mordida de forma a expressar o seu desconforto perante as novas situações. Em alguns casos, esse comportamento pode também acontecer com o aparecimento dos dentes. Contudo, é importante salientar que ao morder outra criança, não significa que o intuito seja agredir, mas sim chamar a atenção de alguém ou tentar obter algo de forma rápida, assumindo, assim, um meio de comunicação. Nestas idades (1-3 anos), as crianças ainda não sabem avaliar as consequências das suas mordidas, nem a força com que o fazem.
Em suma, nesta fase as crianças mordem para conhecer, expressar um sentimento, comunicar ou satisfazer a necessidade de estimulação oral.
Como evitar que as crianças mordam os seus companheiros?
- Evitar brincadeiras com mordidelas, mesmo que sejam a fingir. As crianças facilmente irão imitar este ato acabando por fazê-lo junto de outras crianças, provocando marcas e dor, pois não sabem fingir esta “brincadeira”.
- Proporcionar variedade de brinquedos e coisas que as crianças possam morder para se acalmar (mordedores, bolachas, cenouras frias…).
- Se duas crianças entram em conflito com frequência por quererem o mesmo brinquedo, pode-se disponibilizar mais exemplares para que brinquem em simultâneo.
- Se a criança morde quando tem fome ou está cansada, é possível diminuir o tempo de brincadeiras para que coma antes e possa descansar.
- Se morde para chamar a atenção, os pais/as educadoras devem planear passar mais tempo com a criança (ler uma história, jogar à bola…), mas nunca como consequência de ter mordido.
- A criança que foi mordida deve ser consolada e incentivada a mostrar o seu desconforto, mas não deve ser incentivada a morder de volta.
- Dizer às crianças que não aprovamos as mordidas e explicar-lhes o motivo de não poderem fazê-lo – porque magoa e devemos tratar bem os amigos.
Assim, vamos muni-las de ferramentas para demonstrarem os sentimentos de outras formas.
Apesar de ser um ato normal, não deve ser frequente nem encorajado. A situação só é preocupante quando persiste após os 3 anos de idade. Aí pode tratar-se de uma fragilidade emocional e deve ser explorada junto de um profissional.
Beatriz Palhota
Estagiária de Psicologia Educacional
Equipa de Gestão de Carreira

